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O
PROJETO
De
museu para ecomuseu
Ângelo
Pignataro - Museólogo
O Museu do Tropeiro foi criado como um ecomuseu, o que representa um passo à frente na evolução destas instituições, reunindo os habitantes da região e seus visitan tes, todos participantes da vida do Museu, incluindo também a ecologia da região.
O Museu é um depositário de informações onde a população se reconhece como personagem e encontra explicação para a região em que vive, juntamente com a história dos seus antepassados, na continuidade das gerações. Estas informações são oferecidas por esta população aos visitantes para melhor fazer-se entender no seu trabalho e comportamento.
É um Museu do homem e da natureza: nele o homem é interpretado em seu meio e a natureza nas adaptações e em seu estado primitivo
preservado.
Um Museu do tempo, quando a explicação remonta além do momento da ocupação da região, escalona através das épocas, chegando no tempo em que se está vivendo e abrindo-se em direção ao futuro. Também um Museu do espaço: como agente de conservação, preserva e valoriza o patrimônio da cultura e da natureza da região. Enfim, um laboratório enquanto fornece matéria de estudos teóricos e práticos em torno desta população e seu meio ambiente e é uma escola enquanto forma especialistas interessados nestes estudos, incitando-os a entender melhor os problemas de seu
futuro.
O Museu se inspira no princípio básico de que a cultura deve ser compreendida no sentido mais amplo possível e dedica-se a que sejam reconhecidas a dignidade e expressão cultural e artística de sua população.

MUSEU DO TROPEIRO: RESGATE DA HISTÓRIA DE MINAS
Eleni
Cássia Vieira Gestora
do Patrimônio Cultural Basta um pouco de Minas Gerais para descobrir ser viajante no rastro dos tropeiros da antiga Estrada Real.
O Museu
do Tropeiro em Ipoema, distrito de Itabira, cria um espaço
de pesquisa e de reflexão sobre objetos resgatados, testemunhas do passado, do trabalho de hoje e de amanhã. Sugere uma obranão acabada pois tem como perspectiva estar sempre aberto para sua construção. Torna-se um lugar escolhido para o encontro do homem com a história e tempo nas mais diversas formas de expressão.
As ferramentas, utensílios, objetos de uso refletem a memória histórica e afetiva, identificam os ofícios e os homens de negócios no uso deste ofício. Cada peça ali guardada retrata a divisão que separa os homens segundo a posse, raça, cor, idade e
sexo.
O Museu do Tropeiro revela gestos, palavras, sociedade e cultura, sentimentos, hábitos, costumes e pensamentos, modos de ser e de viver. É ponto de encontro dos que povoaram e povoam os últimos séculos até os dias de hoje; dos que construíram sua identidade nos engenhos da cana-deaçúcar, nas minas de oura.e diamantes, oficinas, fazendas, alambiques, fábricas, armazéns, ranchos e movimentos
sociais.
Como lugar de coletividade, permite a chegada das transformações onde o saber-fazer desintegra-se ao fascínio de novos aprendizados para depois, em outra fase se encontrarem numa fusão de
saberes.
Como espaço de memória questiona: quem é o homem que faz balaios, bruacas de couro, arreios, estribos, esporas, chicotes e pelegos, que arruma as canastras para as roupas de viagem, que prepara a farinha, a carne nas latas de gordura e o feijão tropeiro? quem é o homem que trilha os caminhos da antiga Estrada Real ao som dos guizos na movimentação da madrinha de tropa? com que recursos
conta?
Sabe-se que a realidade aponta o tropeiro como desbravador de oportunidades para muitas fontes da arte e do ofício. E, muito além da luta pela sobrevi vência, como repórter do tempo, soube dizer que algo não pode ser negociado: a identidade do homem. Ainda que a história tenha sido discreta, movimentou a economia do país, divulgou a língua-pátria, fez surgir estradas e centenas de povoados a cada três ou
quatro léguas num eixo de 18 a 24 quilômetros. Apenas é preciso um exercício do olhar para vê-lo.
O Museu do Tropeiro nasce então como gesto de defesa. Registra a história. Revela lugares de memória, descortina significados, toca emoções, provoca lembranças, desenvolve atitudes do saber-cuidar, possibilita oportunidades de trabalho e renda para todos.
O
PRÉDIO DO MUSEU
Durante a restauração, constatou-se que a casa passou por três etapas obedecendo as técnicas construtivas de época: pau-a-pique, adobe e tijolo, madeiramento em braúna, peroba e sucupira. A cobertura em telhas artesanais de barro foram refeitas acompanhando as fases de construção.
Segundo Paulo Rocha, artesão e antigo morador de Ipoema, o prédio era conhecido por Estalagem, sua função em algum tempo antigo. E para Maria Assis Duarte (Lilita) que identifica as diferentes épocas, os terrenos da lateral esquerda formavam um rancho de
tropeiro.
Com a queda do tropeirismo, o rancho se converte em teatro e circo. Na verdade, lugares e casas tranformam-se em objetos de descobertas para o olhar atento do observador. Nos acasos, convicções definem estágios e neles, o significado. A idéia de tempo e novos usos interagem entre espaços da memória. É nesse convívio que os antigos moradores são reencontrados: Augusto Guerra, João Guerra, Manoel Pessoa, Chiquinho Bernardino, Padre Pedro Paulo Pessoa, Padre João de Oliveira, Padre Oswaldo e Padre Luzardo Teixeira Fonseca. A casajá abrigou também a Administração
municipal.
O Museu do Tropeiro recebe a herança como referência e lhe confere novas formas de uso, numa visão de ações
compartilhadas.
Na restauração optou-se pela retirada de uma varanda que cobria a entrada principal, construída talvez na década de 1930, recuperando o visual de casa simples do período
colonial.
No restante do prédio foram mantidos os acréscimos feitos durante as fases de construção. Em algumas paredes foram abertas pequenas prospecções para que se possam observar as técnicas construtivas.
RECEITA: Feijão
Tropeiro -
1 kg de feijão mulatinho ou roxinho -
1 1/2 xícara de chá de farinha de mandioca -
1 kg de toucinho para torresmos -
1 kg de lingüiça de porco -
4 dentes grandes de alho picado -
1 cebola grande em rodelas -
Salsa e cebolinha a gosto -
Pimenta malagueta (opcional) -
2 ou 3 ovos cozidos Ferver
o feijão em água até ficar cozido mas sem se
desmanchar. Escorrer o caldo e manter ofeijão aquecido. Picar
o toucinho, temperar com sal e fritar em um pouco de óleo
até dourar. Escorrer e manter aquecido. Em uma panela
grande, fritar a lingüiça picada em tamanhos médios,
usando a banha dos torresmos, pingando água para que
fiquem macias e assim estando, deixar dourar. Retirar e
manter aquecida. Na
mesma panela em que fritou a lingüiça, refogar o alho
picado, as cebolas em rodelas e o feijão escorrido.
Juntar a farinha de mandioca, sacudir e acrescentar os
torresmos. Servir, enfeitado com a salsa e a cebolinha bem picadas, fatias de ovos cozidos e os pedaços de lingüiça acompanhados de arroz e couve.
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